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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Lilian M. - ou Liberdade: só a Libertinagem vos Libertará

Lilian M: Relatório Confidencial, filme brasileiríssimo, pois nele não há as defasagens intelectuais que se costuma importar da Europa e dos EUA. É uma inovadora "tragicomédia de aventura" de 1974, dirigida pelo herói marginal Carlos Reichenbach, cujo roteiro e fotografia também estiveram sob seus cuidados. Obra de arte que ainda hoje não encontrou sua devida reverberação. Talvez por ainda continuar sem encontrar seu devido público, pois não é a romantização de nada, muito menos a condenação moral de algo. É um filme libertário que se liberta de si mesmo. No entanto Lilian M., a personagem, é um modelo fantástico e, portanto, mítico da singularidade do agir que dessacraliza o pensar. Lilian M. coloca a liberdade de pensamento em seu justo lugar: a liberdade do corpo. O pressuposto de qualquer pensamento é a própria pele. O pensar nada mais é do que pura diversão e capricho amoroso. Nada de se entregar à razão para cumprir o sacro dever de sacrificar aquilo que mais se ama: a arbitrariedade descarada da aceitação de que sou apenas o eu próprio. Não há pressupostos. Lilian M. apenas se põe. É posta. Ah, mas antes de continuarmos essa idéia mítica dessacralizada bisbilhotemos a sinopse do filme.

"Maria abandona o marido lavrador e os dois filhos pequenos. Foge com um mascate falador. Após um acidente de carro, segue sozinha para São Paulo. Imigrante perdida é presa e encaminhada a uma assistente social. Esta arruma-lhe um emprego na casa de Braga, um industrial filósofo. Tornam-se amantes. Maria é rebatizada de Lilian (nome da mãe de Braga). Isto é só o começo. Ao longo de sua trajetória Lilian se envolve com todo o tipo de personalidades singulares: o filho de Braga (artista autodestrutivo), um industrial alemão (financiador da repressão militar), um grileiro de terras narcisista, um detetive infantil, uma dançarina e cafetina, um marginal tuberculoso com cara Jesus Cristo e, por fim, um funcionário público submisso e sem ambições e sua irmã, aparentemente apática. A trajetória de Lilian M., da roça à metrópole, do casamento à prostituição, da estabilidade financeira à marginalidade instável, retorna, como na música se retorna a um ritornelo, às origens: mulher humilde casada e mãe de duas crianças pequenas. Mas como eu disse: ritornelo!"

Lilian M. é ao mesmo tempo criador e criatura. É dissolução que só interessa a ela mesma. Dissolução da imensa noite do pensar e da fé. Abandona o reconhecimento de que qualquer coisa está acima dela. Não tem vocação alguma, não está atrás de nenhuma, nem mesmo a de ser alguém livre. Pois, qual a medida de sua liberdade? Já que não sente nenhuma limitação que a possa  afligir. É causa de si mesma. Não é causa de nada, de que alguém espere que ela trabalhe, se sacrifique ou se entusiasme. Nenhuma causa é superior senão ela mesma. Lilian M. é um nada grávido de tudo. Nela não há espaços vazios. Não há nenhum sentimento de vacuidade. Não se esconde por detrás de coisa alguma. Está acima de tudo, porém isso não significa que ela é superior. Lilian M. simplesmente é. Não está reduzida ao seu espírito, é mais que isso. Não está reduzida ao seu corpo, é mais que isso. Não está reduzida a seu egoísmo, é mais que isso. Ela não se prende, não se descobre, não está amedrontada pelas coisas do mundo e, muito menos tem planos de salvação ou melhoramento da sociedade. É a insurreição aqui e agora sem deixar brechas para niilismo algum. Não lhe cabe qualquer tipo de resignação hipócrita ou mesmo aceitação hipócrita. Aquilo que assombra cada pessoa que assiste ao filme nada tem efeito sobre sua protagonista: o amor, o bem, a verdade, etc. Lilian M. nada tem de vítima da renúncia de si mesma. É quebra da tirania do espírito através de sua carne e ossos. "Liberdade de espírito" seria a pior injúria que alguém poderia cometer contra ela.

A liberdade não lhe é um sentimento imposto, não lhe é estranho e não lhe é sagrada. Não lhe é um sentimento desperto por outrem. Não vem de fora, nem de dentro. É permeação completa. A liberdade só pode ser toda a liberdade. Uma parte da liberdade (como amam dizer por aí "liberdade, mas sem libertinagem") não é a liberdade. De que coisa você quer se libertar? De que serve uma liberdade que não lhe dá nada? De que serve ser livre apenas de partes e do todo? De que serve uma liberdade que estabelece uma nova dominação? De que serve uma liberdade ordenada pelo sentimento moral, pela consciência, pelo sentido do dever, ou mesmo pelo "o que as pessoas pensarão"? De que serve uma liberdade na qual nos assustamos com a nossa própria nudez e naturalidade? De que serve uma liberdade fundamentada no desprezo de si e na veneração de idéias? Para melhor entendermos essa dimensão libertária de Lilian M. que liberta até mesmo a liberdade, voltemos ao tempo dos dez anos passados após realização do filme: o fim da ditadura militar brasileira em 1984. A abertura política triunfou, no entanto, em seu triunfo, destruiu aquilo que pretendia realizar, a liberdade. Pois, ao invés de agir liberta de qualquer tipo de tutela, acharam  outros meios de colocar correntes em si mesmos. Civilização falida. Falência que se agrava até os dias de hoje (2010) e continuará indefinidamente enquanto se  tratar a liberdade como posse e não como relação. Relacionar-se com a liberdade somente é possível na libertação. É no libertar-se a si mesmo - processo -  que a liberdade vai se dando, em partes rumo ao todo liberto. Apenas em um primeiro momento do processo  faz-se livre, depois é preciso seguir em frente, assim como Lilian M. o faz: esquecimento, inocência, jogo, afirmação, criação, abertura, possibilidade, início. Ser livre não é a interiorização de lei alguma, é processo de abertura do espaço da liberdade total sem garantias; é processo que não se sustenta sobre nada; é processo não determinado pelo que somos, e sim que se determina pelo que viremos a ser; é processo da novidade, das invenções e das transgressões; é começo absoluto fora do tempo e da história. É o próprio conselho da libertinagem: tornar-se centro e essência da liberdade. 
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Queimada - ou Brincando com fogo


Queimada (1969 - Itália/França) de Gillo Pontecorvo. Um filme força. Potência inebriante. Inspirador. Filme que faz tudo o que é vivo em meu corpo se rebelar contra a tirania do conforto. Mas se retiro toda a sua força ele se resume no seguinte: Século XIX. Uma ilha do Caribe sob domínio português. É enviado para lá um representante da coroa britânica. Sua missão: incentivar uma revolta e promover a indenpendência da ilha chamada Queimada. Esta é assim nomeada pois os português atearam fogo nela para conter uma insurgência indígena. No entanto, dez anos depois, o representante inglês retornar à Queimada. Desta vez, não como representante da coroa inglesa, mas sim como mercenário contratado pela Companhia Açucareira. Nova missão: desfazer as consequências da missão anterior. Pois o momento econômico exige um novo ordenamento político.

Agora, restituindo a força do filme, dá-se o seguinte:

Queimada nos coloca uma belíssima reviravolta de pensamento: não tem sentido falarmos em história da civilização, e sim tem sentido falarmos em geografia da civilização. O pensar histórico fez com que o tempo deixasse de ser uma dimensão do vivido e o tornasse um modo de ordenar manifestações culturais em hierarquia. Queimada é anti pensamento histórico. O filme propõe a ruptura com a pretensa hierarquia nítida do tempo; com a pretensão do pensamento histórico ser algo universal, irreversível e último. O filme de Pontecorvo propõe uma importantíssima e inédita revolução: articular o sentido da vida humana com o sentido espacial (geográfico) da vivência. Os portugueses importaram para a ilha identidade cultural (cristã) e memória de modelos ("progresso" ocidental). O intuito dessa importação significava a continuidade histórica da civilização. Continuidade imposta a ferro e fogo. Queimaram toda a ilha em nome dela: a civilização. No entanto, mal sabiam que, com isso, estavam mesmo era brincando com fogo. Mal sabiam que, aqueles que foram levados à força, os/as escravos/as negros/as, e que lá chegaram de mãos vazias (sem "civilização" e tecnologia), chegaram com a potência de um novo modo de pensar tão radical que se tornaria incompreensível para qualquer civilizado ou pretenso civilizado: o pensar concreto e espacial de uma verdadeira cultura por construir. Apesar da miséria material na qual os/as africanos/as desterrados/as foram aí lançados/as, seus gestos cotidianos se mostraram o que eles e elas tinham de mais rico e sofisticado: jogo, festa e revolta.

O representante da coroa britânica, importador de progresso, chegou em Queimada trazendo em suas malas fases esgotadas da cultura ocidental como se fossem esperanças para um futuro promissor. Repetição do esgotamento vinda de navio (tempo da distância) e impressa em papel (tempo da comunicação como um olhar distante em direção a Europa; como um espiar do modelo a ser copiado). No entanto, o futuro promissor trago pelo inglês foi ocupado territorialmente por Jose Dolores (convidado que se tornou anfitrião). Tornou-se futuro imprevisível pois tornou-se geografia promissora. Deixou de ser mero tempo - espaço da utopia. Tornou-se lugar. Atitude de violento insulto. Jose Dolores ocupou o tempo, como se fosse um espaço; com isso trocou seu ritmo europeu histórico por um ritmo africano que o suspende das trilhas da história. A revolução de ex-escravos/as em Queimada troca a técnica civilizada européia pela arte africana além da civilização. Troca o simbolismo "universalmente" convencionado por pensamentos concretos mais vivos. Provoca a descoberta de si enquanto pensador e agente próprios - são guerreiros dançarinos por um marco zero. Troca a restrição às verdades humanísticas pelo grande acordar - despertam do alheiamento. Não há mais sonho dogmático - cuja duração segue às custas da pena de morte. A guerrilha procura, apenas, assumir-se autentica e honestamente para si e para o seu ambiente. No entanto, enquanto a revolta se levanta rumo a uma nova situação, há uma pseudocultura nascendo: a república. Situação tragicômica de seus participantes. Pois a tragédia pertence apenas a Jose Dolores. 

Tragicomédia pois são escolhidos alguns dos "piores" elementos de cultura para transformarem a cultura mesma. São escolhidos imitadores, sempre decadentes temporalmente, para manifestarem por si espíritos alheios: imitação defasada da Europa. Resultado: incompetência. A república nasciente de Queimada, filha da civilização é incompetente. Pois é uma debandada desesperada da realidade concreta e próxima que lhe é insuportável: os/as escravos tornaram-se senhores/as de si, do ambiente, do futuro enquanto presente e da cultura bela a ser cultivada. Tal pseudocultura-tragicômica é logo deposta por uma junta militar aliada ao capital estrangeiro. Pois foi incapaz enquanto filha de amar sua mãe: "é para o seu próprio bem". Portanto, horizonte fechado, mas ocupado por outra filha decadente a Ditadura Militar. Mas o ritmo africano é incompreensível para ambas decadência. Ele insiste e não se cala. É horizonte aberto. É carnaval revolucionário ou revolução carnavalesca em seu sentido mais superior, algo tão refinado que também é incompreensível a qualquer esquerda festiva. Pois o ritmo que toma conta de Queimada é esperança utópica para além da história, para além das condições materiais - sem cair em nenhum tipo de "euforia" religiosa além-mundo. É esperança inesperada, ou seja, é esperança cuja única função é desaparecer. 

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domingo, 21 de novembro de 2010

Surplus - ou O Arcaismo Revolucionário


Surplus - Terrorized Into Being Consumers (Suécia - 2003) de Erik Gandini. Supérfluo, excedente, superávite - aterrorizados para consumir; aterrorizados até o consumo. Eis o títuto. Genial como a montagem. Na verdade, composição. Johan Söderberg, percusionista foi quem o montou. Filme-documentário-video-clipe-percussão. Falando em linhas grosseiras e gerais, o filme é uma crítica à dois estilos de vida: ao que visa ser modelo do mais elevado modo de ser humano: consumidor (comsumistas são sempre espécie de imperialista, e imperialistas uma espécie de consumista); e ao estilo de vida militarizado (Cuba): alheiamento que articula um sentimento falsamente romântico que torna-se porta-voz de uma solução inautêntica e forçosamente permanente. A voz que insurge contra tais modos de ser no mundo é a de John Zerzan. Responsabilizado pelos progressistas de plantão de ser uma espécie de ghost-maker (fantasma realizador) dos fantásticos distúrbios de rua contra o G8 em 2001. Onde as idéias de John são rotuladas com a estampa de anarco-primitivista. Destas linhas grosseiras e gerais sigamos a linhas mais delicadas e, portanto, deliciosamente perigosas.

Surplus é uma análise dos hábitos e costumes das sociedades européia e estadounidense em contraponto com os hábitos e costumas a sociedade pós-revolucionária cubana. A primeira sociedade, dona de cultura ancestral. A segunda, dona da grande inveja e vingança contra a ancestralidade que deve sempre justificar sua existência perante a primeira.  A terceira sociedade, dona de uma ruptura anticolonial via a militarização e a aceitação da escassez como forma de vida. Europa, soberba mãe da filosofia, das artes, da ciência e da história. Estados Unidos, soberba mãe da tecnologia, do pragmatismo, do dinheiro e da guerra contra tudo o que não é europeu. Cuba, soberba mãe insurgente. A crítica pode ser importada às elites econômicas e intelectuais do mundo inteiro. Pois são elas que, virtualmente, participam da cultura européia e usufruem da tecnologia estadounidense. Mesmo que ambas as situações são experimentadas de modo defasado. É aqui que o filme se torna mais interessante para nós, brasileiros/as (pretensa identidade determinada pelo acaso de se ter nascido/a em um território) não participantes dessa pretensa elite. Esta ligada às comunicações globais e à imensa rede de trocas, aberta às mensagens e à comunicação de experiências que incluem o mundo. Pois a crítica de Surplus toca onde nos é experiência diária, na maioria das vezes experiência irrefletida: a miséria existencial e o alheiamento ao nosso estilo de vida único e transvalorador. 

Chamarei, somente pedagogicamente, esse estilo de vida 'brasilero', vivido fora das experiências da 'nossa' elite  pretensamente global, de Arcaismo Revolucionário. Surplus nos mostra que a idéia de progresso é vivida, ao mesmo tempo, como um espaço de grandes expectativas e de doces sonhos, como também um espaço que provoca insônia povoada de pesadelos, "ser deixado para trás". Essa dupla vivência do progresso somente é possível apenas para a minoria de pessoas não sobrantes do planeta. Possível á apenas aquelas pessoas que constróem suas cidades como trincheiras e bunkers destinadas a separar e a manter distância daqueles que trazem consigo o horror da fome, da escasses e da precariedade da condição humana - correspondência com a primeira vivência do progresso - e também daquelas pessoas que trazem consigo a condição de que podemos muito bem viver das mais variadas formas indiferentes às obsessões causadas pelo progresso - correspondência com a segunda vivência. 

Se o discurso de John Zerzan, para a superação desse modelo aterrorizador para o consumo, é por via de um primitivismo revolucionário, é uma reação válida contra a miséria causada pelo excesso de civilização, geograficamente localizada. Um discurso possível apenas nesse lugar chamado EUA, cuja razão de ser é a pretensa superabundância de coisas propiciada pela tecnologia, o pragmatismo e o protestantismo. Zerzan vê esse abundância excessiva como madastra: mãe e inimiga ao mesmo tempo. Enquanto mãe ela nos mostra que podemos fazer qualquer coisa com o menor esforço possível, menos fadiga e menores custos (automação). Entanto inimiga ela nos mostra que é preciso estar definitivamente dentro do sistmema. Contra isso não há alternativa. Apenas nesta aceitação incondicional se está seguro/a, no entanto cviver em segurança não é viver a beatitude da tranqüilidade, e sim viver a maldição do tédio. É ter empregos que odiamos e somos obrigados/as a amá-lo incondicionalmente ao mesmo tempo em que abrimos mão de toda espontaneidade, flexibilidade, capacidade de surpreender-se e de nos colocarmos em possíveis aventuras. Zerzan sugere que a superação é assumir um risco. Risco este que é o de não mais viver obrigado a consumir objetos (e aqui também se inclui o urbanismo) criados para descarregar os exessos de medo. É o risco de que nossos medos não tenha vida própria. E como todos/as sabem que, quem não arrisca não petisca, assim é a mensagem primitivista de Zerzan. Um exemplo do modo como algumas pessoas lá na Europa e EUA aceitaram esse risco foi a onda de destruição de propriedades privadas corporativas.

Ahá! E o discurso de Zerzan não cabe a nós também? Claro... que não! Tirando a destruição da propriedade privada ameaçadora... Não precisamos voltar a algum estágio anterior à revolução industrial. Pois não  vivenciamos tal revolução. Não por que nos faltou algo, histórico ou materialmente, e sim porque a recusamos de modo fundamental. Por abundância. Esta gerada pela nossa experiência dialética entre a síntese e mistura. Pois de modo vívido e aberto, nosso cotidiano é a constante recordação de que a qualquer momento os muros podem ser derrubados - somos indígenas, quilombolas e ciganos/as. Pois de modo vívido e aberto, nosso cotidiano é a constante recordação de que a qualquer momento as fronteiras podem ser canceladas - somos refugiados/as e imigrantes provindos/as de todos os cantos da terra. Vivenciamos diariamente os meios os quais aniquilam as misteriosas e incontroláveis forças globalizantes: por exemplo, vivemos o comércio expontâneo, trocamos mercadorias entre iguais. Existimos enquanto classe perigosa por sermos incapazes de integração - por vivermos as múltiplas justiças, religiosidades e línguas indígenas. Existimos enquanto classe perigosa por sermos incapazes de assimilação - por vivermos as múltiplas morais afrodescendentes e o movimentar-se constante cigano. Existimos enquanto classe perigosa por sermos inaptos/as para sermos socialmente reciclados - por vivermos as múltiplas esperanças (o lugar recebe o impacto do/a estrangeiro/a) e aberturas ao novo (o/a estrangeiro/a recebe o impacto do lugar) de imigantes e refugioados/as. Devido a esse perigo somos vistos/as como supérfluos/as, ou seja arcaicos/as, antiprogressista: por querermos aldeias e quilombos demarcadas, ou seja ancestralidade assumida; por queremos certas experiências estrangeiras libertárias. Devido a esse perigo somos vistos/as como excluídos/as de modo permanente, ou seja revolucionário/as que precisam ser impedidos/as de criar problemas e assim mantidos/as à distância da comunidade respeitosa das leis do progresso e da globalização.

Assim, o Arcaismo Revolucionário é a nossa forma natural de crítica e solução à tensão entre as pressões globalizantes e o modo como nossas identidades são debatidas, modeladas e remodeladas. Nem EUA, nem Europa... nem Cuba.

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